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January 28 A FILOSOFIAA NO MUNDOA filosofia no mundo
Mas como se põe o mundo em relação com a filosofia? Há cátedras de filosofia nas universidades. Atualmente, representam uma oposição. A força da tradição filosofia e polidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a filosofia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática. É nomeada em público, mas — existirá realmente? Sua existência se prova, quanto menos, pelas medidas de defesa a que dá lugar. A Oposição se traduz em fórmula como: a filosofia é demasiado complexa; não compreendo; está além de meu alcance; não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora isso equivale a dizer: é inútil o interessa pelas questões fundamentas da vida; cabe abster-se de pesar no plano geral para mergulhar, através de trabalho consciencioso, um capítulo qualquer de atividade prática ou intelectual; quando ao resto, basta ter “opiniões” e contenta-se com elas. A polêmica torna-se encarniçada. Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia filosofia. Ela é perigosa. Se eu á compreendesse, teria de alterar minha vida. Adquirira outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente. E surgem os detratores, que desejam substituir a obsoleta filosofia por algo de novo e totalmente diverso. Ela é desprezada como produto final e mendaz de uma teologia falida. A insensatez das proposições dos filósofos é ironizada. E a filosofia vê-se denunciada como instrumento servil de poderes políticos e outros. Muitos políticos vêem facilitados se nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massa e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão somente usam de uma inteligência de rebanho. É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante. Oxalá desaparecessem as cátedras de filosofia. Quanto mais vaidades se ensinem, menos estarão os homens arriscados a se deixar pela luz da filosofia. Assim, a filosofia se vê rodeada de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A autocomplacência burguesa, os convencionalismo, o hábito de considerar o bem-estar material como razão suficiente de vida, o hábito de só apreciar a ciência em função de sua utilidade técnica, o ilimitado desejo de poder, a bonomia dos políticos, o fanatismo das ideologias, a aspiração a um nome literário — tudo isso proclama a antifilosofia, E os homens não o percebem porque não se dão conta do que estão fazendo. E permanecem inconscientes de que a antifilosofia é uma filosofia, embora pervertida, que se aprofundada, engendraria a sua própria aniquilação. O problema é crucial é o seguinte; a filosofia aspira á verdade total, que o mundo não quer. A filosofia é, portanto, perturbadora da paz. E a verdade o que será? A filosofia busca a verdade nas múltiplas significações do ser verdadeiro segundo os modos do abrangente. Busca, mas não possui o significado e substância da verdade única. Para nós, a verdade não é estática e definitiva, mas movimento incessante, que penetra no infinito. No mundo, a verdade está em conflito perpétuo. A filosofia leva esse conflito ao extremo, porém o despe de violência. Em suas ralações com tudo quanto existe, o filósofo vê a verdade revela-se a seus olhos, graças ao intercâmbio com outros pensadores e ao processo que o torna transparente a si mesmo. Quem se dedica á filosofia põe-se á procura do homem, escuta o que ele diz, observa o que ele faz e se interessa por suas palavras e ações, desejo de partilhar, com seus concidadãos, do destino comum da humanidade. Eis por que a filosofia não se transforma em credo. Está em continua puena consigo mesmo.
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